Comparar duas traduções do mesmo versículo: o que uma versão ilumina
Se você já leu o mesmo versículo em duas Bíblias, talvez tenha se surpreendido ao achá-lo um pouco diferente. Não é que uma das duas esteja errada: é que traduzir é fazer escolhas. Esta missão convida você a fazer essa experiência e a ver o que a comparação ilumina.
Como isso aparece no seu dia
Pegue um versículo da sua leitura do dia e leia-o em duas traduções diferentes: a que você conhece e depois outra. O aplicativo dá acesso a várias versões da Bíblia. Observe três coisas:
- As palavras que mudam. Um verbo mais forte? Uma palavra mais comum? Uma ordem diferente na frase?
- O tom geral. Uma soa mais solene, a outra mais coloquial.
- O que cada uma faz você notar. A segunda mostra algo que a primeira escondia?
Um exemplo preciso. No prólogo do Evangelho de João, há um versículo famoso sobre a luz que brilha nas trevas:
João 1:5
Em versões diferentes, o que as trevas fazem com a luz é dito com verbos diferentes: em uma, elas não a dominaram; em outra, não a compreenderam; em outra ainda, não a acolheram. O verbo grego pode significar ao mesmo tempo acolher, agarrar e compreender (e até apagar). Cada tradução retém uma nuance. Ao compará-las, você vê que o versículo diz várias coisas ao mesmo tempo: a luz não foi acolhida, não foi compreendida e não pôde ser apagada.
Se você está com pressa, compare um versículo de duas linhas. Se você é iniciante, não tente analisar: apenas repare em uma diferença e pergunte-se o que ela ensina. Se você lê em vários idiomas, é a ocasião de confrontá-los.
O que a Bíblia diz
No livro de Provérbios, a busca da sabedoria é comparada à busca de um tesouro:
Provérbios 2:1-5
O texto fala de procurar a sabedoria como se procura prata e de cavar atrás dela como atrás de um tesouro: a sabedoria exige esforço. Comparar traduções faz parte disso: você não se contenta com a primeira leitura. E, na época de Neemias, quem lia a lei ao povo fazia um trabalho parecido:
Neemias 8:8
A leitura pública da Palavra vinha acompanhada de uma explicação, para que se entendesse o que era lido. As traduções desempenham um pouco esse papel: cada uma propõe um sentido, e compará-las enriquece a compreensão.
Armadilhas a evitar
Procurar “a” tradução perfeita. Nenhuma é. Algumas são mais próximas da letra, outras mais fáceis de ler. Cada uma tem a sua função.
Cair na erudição. Não é preciso conhecer hebraico ou grego para comparar. Não se sinta obrigado a fazer linguística: basta perceber nuances.
Construir uma doutrina sobre uma nuance. Uma diferença entre duas versões não basta para fundamentar uma ideia forte. Confira em outras passagens antes de concluir.
Escolher a versão que tranquiliza você. Você fica tentado a privilegiar a que confirma o que já pensa. Compare também com uma versão que incomode um pouco.
Desanimar diante da complexidade. Há questões de tradução realmente difíceis. Não se preocupe: o essencial da mensagem bíblica é claro, seja qual for a versão.
Hoje, pegue um versículo da sua leitura. Leia-o em duas traduções e anote uma diferença.