A mentoria: acompanhar alguém a longo prazo, como Elias e Eliseu
Um mentor não é um professor nem um chefe: é um crente um pouco mais avançado que acompanha alguém a longo prazo. Ele escuta, pergunta, partilha a sua experiência, orienta para a Bíblia, ora. Essa relação, que sempre existiu na história da Igreja, responde a uma necessidade imensa. Esta missão mensal convida você a reservar um tempo com alguém para escutá-lo, aconselhá-lo biblicamente e orar com ele.
Como isso aparece no seu dia
Escolher a relação. Você pode ser mentor (acompanhar alguém mais jovem na fé) ou mentorado (deixar-se acompanhar). Às vezes os dois: somos sempre o mais avançado de alguém e o menos avançado de outro.
Definir um quadro. Um encontro mensal de uma a duas horas, ou até mais seguido no começo. Um lugar calmo. Uma duração de relação combinada (seis meses, um ano), renovável.
Seguir um roteiro de encontro:
- Acolhida e novidades (10 minutos). Como você está de verdade? O que aconteceu desde a última vez?
- Escuta (20 minutos). Deixe a pessoa falar do que vive: alegrias, provações, perguntas, decisões. Faça perguntas abertas.
- Conselho bíblico (15 minutos). Procure uma passagem que esclareça. Leiam-na juntos, reflitam sobre a aplicação.
- Um passo concreto (5 minutos). “O que você vai pôr em prática até o próximo encontro?”
- Oração (10 minutos). Orar um pelo outro, com precisão.
Saber dizer “Não sei”. Um bom mentor não tem resposta para tudo. Ele orienta, procura, pede conselho a outros.
Partilhar também as suas lutas. A autenticidade é a chave da mentoria. Um mentor sem falhas inspira pouco.
Guardar a confidencialidade.
Avaliar com regularidade. Essa relação é útil? É preciso mudar o ritmo? É hora de encerrá-la ou ampliá-la?
Se você está com pressa, um encontro de quarenta minutos já pode contar. Se você é tímido, comece por uma pessoa com quem se sente à vontade. Se você não tem mentor, procure um na sua igreja.
O que a Bíblia diz
Paulo resume a transmissão em uma frase:
2 Timóteo 2:2
Ele pede a Timóteo que confie o que ouviu dele a pessoas fiéis, capazes de ensinar também a outros: a corrente continua, de elo em elo. Paulo convida os filipenses a viver o que receberam dele:
Filipenses 4:9
Ele pede que pratiquem o que aprenderam, receberam e ouviram dele e o que viram nele: o mentor transmite pela palavra e pelo exemplo. Ele chega a escrever aos coríntios que o imitem como ele imita a Cristo (1 Coríntios 11:1): o mentor não se coloca como modelo absoluto, ele aponta para Cristo. A história de Elias e Eliseu (2 Reis 2:9) ilustra uma mentoria ao mesmo tempo intensa e terna.
Armadilhas a evitar
Clonar. Um bom mentor ajuda o outro a se tornar ele mesmo, não a se parecer com você.
Colocar-se alto demais. O mentor não é um guru. Guarde a humildade.
Esconder as suas fraquezas. A autenticidade é um meio de ensinar.
Dependência. O objetivo é que o mentorado se torne autônomo. Encoraje-o a buscar também outras vozes.
Comprometer-se sem refletir. Uma mentoria exige tempo e regularidade. Verifique se você consegue sustentá-la.
Neste mês, reserve um tempo com alguém: escuta, conselho bíblico, oração.