O Pai-Nosso, frase por frase: como meditá-lo de verdade
Talvez você conheça o Pai-Nosso desde a infância. É justamente o risco: dá para dizê-lo em trinta segundos sem ter pensado em uma única palavra. Esta missão convida você a desacelerá-lo, a parar em cada frase e a declará-la de verdade, como se fosse a primeira vez.
Como isso aparece no seu dia
O princípio é simples: uma frase, depois um silêncio, depois uma reflexão. Reserve de cinco a dez minutos, sem pressa. Eis uma maneira de fazer, sem pretender esgotar o sentido:
- A invocação inicial, a Deus como Pai que está nos céus: pare no “Pai”. Você se dirige a alguém que conhece você e que ama você. Diga simplesmente “Papai” no coração, se precisar, ou deixe a palavra ressoar.
- O pedido de que o nome de Deus seja santificado: você pede que Deus seja honrado, primeiro na sua vida. Onde você não o honra hoje?
- O pedido de que o reino dele venha: você entrega nas mãos dele o seu dia, as suas decisões, a sua agenda.
- O pedido do pão de cada dia: você pede para hoje, não para os próximos dez anos. Do que você precisa concretamente?
- O pedido de perdão, na medida em que perdoamos: você nomeia uma falta e pensa em alguém a quem ainda precisa perdoar.
- O pedido de não ser levado à tentação e de ser livrado do mal: você nomeia uma fragilidade e pede força.
Se você é iniciante, pode até pôr o texto diante dos olhos e ler cada frase em voz baixa. Se você está com pressa, escolha uma única frase e fique nela dois minutos. Se você é tímido, saiba que ninguém escuta: é entre Deus e você.
O que a Bíblia diz
Eis o texto que Jesus dá aos seus discípulos:
Mateus 6:9-13
Repare primeiro por que Jesus o ensina. No Evangelho de Lucas, são os próprios discípulos que pedem que ele os ensine a orar (Lucas 11:1). Jesus não dá um texto mágico, dá um modelo. Antes dessas palavras, ele acabou de dizer para não orar como quem quer ser visto nem como quem multiplica palavras:
Mateus 6:6
Depois, observe a ordem. O Pai-Nosso começa por Deus (o nome dele, o reino dele, a vontade dele) antes de chegar às nossas necessidades: o pão, o perdão, a proteção. Não é que as nossas necessidades não tenham importância, mas, ao pôr Deus em primeiro lugar, vemos os nossos pedidos no tamanho certo.
Por fim, as palavras estão no plural: nosso Pai, dá-nos, perdoa-nos. Mesmo sozinho no seu quarto, você ora com toda a família dos crentes.
Armadilhas a evitar
A recitação automática. É o principal obstáculo. Se você perceber que chegou ao fim sem ter pensado, recomece bem devagar. Melhor três frases bem ditas do que o texto inteiro despachado.
Achar que é preciso dizer exatamente essas palavras. Jesus ensina como orar, não apenas o que dizer. Você pode usar as suas próprias palavras seguindo o mesmo roteiro: honrar a Deus, pedir o necessário para hoje, pedir perdão, pedir proteção.
Usá-lo como fórmula que protege. O Pai-Nosso não é um amuleto. A sua força está na relação que ele exprime, não na repetição.
Pular a frase do perdão. Ela é desconfortável, e é por isso mesmo que está ali. Se um nome vier à sua mente, não o afaste. Você não precisa ter resolvido tudo: pode simplesmente dizer a Deus “Quero perdoar, ajuda-me”.
Hoje à noite ou amanhã de manhã, reserve dez minutos. Uma frase, um silêncio. Você talvez descubra que uma oração que achava conhecer ainda tem muito a lhe dizer.