Orar por uma pessoa específica do seu convívio
Orar por todo mundo é uma bela intenção, mas costuma ser um jeito de não orar por ninguém. Esta missão propõe o contrário: uma só pessoa, um rosto, um nome e uma oração que se pareça com ela.
Como isso aparece no seu dia
Comece escolhendo quem. Pense em alguém que você encontra regularmente: a sua irmã, um colega de escritório, a vizinha de cima, um amigo que atravessa um período complicado. Não necessariamente a pessoa mais próxima, mas alguém de quem você sabe algo concreto.
Depois, passe da intenção à precisão. Em vez de “Senhor, abençoa o Marcos”, experimente:
- “Senhor, o Marcos tem uma entrevista na quinta: dá a ele calma e as palavras certas.”
- “Senhor, a Amina está exausta por cuidar da mãe: dá a ela descanso e alguém para ajudar.”
- “Senhor, o Paulo está se afastando da fé: abre para ele um caminho de volta, devagar.”
Se você não sabe do que a pessoa precisa, é uma ótima notícia: pode mandar uma mensagenzinha, mais tarde no dia, para saber como ela está. A oração e a atenção andam juntas.
Num dia cheio, ore caminhando até o ponto de ônibus ou enquanto a água esquenta. Se é tímido, saiba que não é preciso contar à pessoa: isso fica entre Deus e você, e esse tempo discreto já conta muito.
O que a Bíblia diz
A Escritura apresenta a oração pelos outros como uma verdadeira responsabilidade, quase uma forma de amor:
1 Samuel 12:23
Samuel fala aqui de um povo que tinha se comportado mal. Mesmo assim, ele se recusa a deixar de orar por eles: não fazê-lo seria pecar. Orar por alguém não é, portanto, um gesto pequeno e facultativo, é uma maneira de tomar parte no que Deus faz na vida dela.
Paulo, por sua vez, mostra como ora por quem ama. Ele começa pela gratidão, com lembranças precisas, e cita as pessoas pelo nome:
Filipenses 1:3-4
E fala de um certo Epafras, homem discreto, de quem se sabe quase só que orava intensamente pelos irmãos (Colossenses 4:12). Nenhum grande ministério visível: um servo que levava os outros diante de Deus.
Armadilhas a evitar
Orar para mudar a pessoa. É a armadilha mais comum: ora-se para que o outro se torne como queremos. A Bíblia nos convida antes a pedir o que é bom para ele: paz, saúde, sabedoria, encontro com Deus. Deixe que Deus decida o método.
Virar juiz. Se a sua oração por alguém parece um ato de acusação, recomece. Pense nele como alguém que Deus ama, como você.
Manter uma lista interminável. Você não precisa carregar dez pessoas hoje. Uma só, bem carregada, vale mais que dez orações despachadas. Amanhã você escolherá outra.
Achar que Deus precisa dos seus detalhes. Ele já conhece a situação. Os detalhes ajudam você: deixam você atento, dão um coração mais terno e permitem reconhecer depois uma resposta. Anote a data, o nome e o que você pediu, e verá como as coisas evoluem.
Hoje, escolha um nome. Diga-o a Deus. Peça uma coisa precisa para essa pessoa e termine com um simples “Entrego-a a ti”.