Perdão e reconciliação: dois caminhos que não se devem confundir
Costumamos confundir perdão e reconciliação. No entanto, são dois processos distintos. O perdão é uma decisão que você toma diante de Deus: você solta a sua dívida. A reconciliação é um processo vivido a dois: supõe que o outro participe. Esta missão mensal convida você a orar, examinar o seu coração e depois dar um passo humilde.
Como isso aparece no seu dia
Eis um percurso em quatro etapas, a fazer ao longo de vários dias:
- Ore. Peça a Deus que mostre a você uma relação a restaurar. Uma ruptura, uma tensão, uma ferida antiga. Deixe que ele faça você pensar em alguém.
- Examine o seu coração. Qual é a minha parte? O que estou guardando (ressentimento, julgamento, vontade de punir)? O que não ouso dizer?
- Perdoe, da sua parte. Você pode fazer isso sozinho, diante de Deus: “Abro mão do que essa pessoa me deve. Entrego-a nas tuas mãos.” Essa decisão não depende da reação do outro.
- Dê um passo de reconciliação, se for possível e seguro. Uma mensagem, uma ligação, um encontro. “Pensei em você. Gostaria que a gente conversasse, se você topar.” Reconheça a sua parte, escute, proponha recomeçar.
Se a reconciliação não for possível (a pessoa morreu, recusa qualquer contato, ou a sua segurança está em jogo), o perdão continua possível: você pode perdoar sem retomar o contato.
Se você está com pressa, faça só os dois primeiros passos hoje. Se você é tímido, escreva uma carta primeiro. Se a ferida é profunda, peça a ajuda de um acompanhante: um pastor, um conselheiro, um terapeuta.
O que a Bíblia diz
Jesus liga o perdão que recebemos ao que damos:
Mateus 6:14-15
Não é uma barganha: é uma realidade do coração. Quem se recusa a perdoar fecha para si o que ele mesmo recebeu. Paulo lembra isso aos colossenses:
Colossenses 3:13
O modelo é o perdão que recebemos: Cristo perdoou, e assim devemos perdoar também. Pedro pergunta quantas vezes perdoar:
Mateus 18:21-22
A resposta de Jesus, setenta vezes sete, indica que o perdão não é um ato único, mas uma disposição. A história de José e dos seus irmãos (Gênesis 45:4-8) ilustra um percurso de perdão que desemboca em uma reconciliação.
Armadilhas a evitar
Confundir perdão e esquecimento. Perdoar não quer dizer agir como se nada tivesse acontecido, nem fingir que não foi grave. Você nomeia o mal e depois solta a dívida.
Forçar a reconciliação. A reconciliação exige duas pessoas prontas e, às vezes, condições: mudança, reparação, tempo. Não se precipite, sobretudo em caso de violência ou abuso.
Esperar o pedido de desculpas para perdoar. Você pode perdoar sem que lhe peçam. Isso liberta você.
Perdoar para ser admirado. Mantenha o seu perdão discreto. Ele não é um título de glória.
Julgar-se se os sentimentos demoram. O perdão é primeiro uma decisão; as emoções às vezes seguem devagar. Não conclua depressa demais que você não perdoou.
Neste mês, ore, examine o seu coração e dê um passo humilde: um perdão que você concede, ou uma mão que você estende.