Renunciar a um rancor: depositá-lo diante de Deus e deixá-lo cair
Um rancor é uma dívida que você guarda na memória: “Ele me deve desculpas”, “Ela fez isso comigo”. Você a tira do bolso a cada ocasião, ela deixa os encontros tensos, pesa em silêncio. Você pensa punir o outro, mas é você quem a carrega. Esta missão propõe um gesto preciso: identificar um rancor, dizê-lo a Deus e escolher explicitamente deixá-lo cair.
Como isso aparece no seu dia
Para renunciar a um rancor, é preciso primeiro vê-lo. Veja um percurso em quatro etapas:
- Identifique-o. Faça a pergunta: “Há alguém em quem penso com um toque de amargura?” Um colega, um parente, um amigo, um antigo responsável. Dê nome à pessoa e ao motivo.
- Diga-o a Deus. Sem minimizar: “Senhor, guardo rancor do João por aquilo que ele disse de mim diante de todo mundo. Sinto vergonha e tenho vontade de que ele pague.” Você pode até escrever a lista das queixas.
- Escolha deixá-lo cair. Não um sentimento, uma decisão: “Renuncio a guardá-lo. Não vou tirá-lo mais do bolso. Confio-o a ti.” A decisão costuma preceder as emoções.
- Substitua por um desejo. “Abençoa-o.” Ainda não é um sentimento, é uma direção.
Talvez você veja o rancor voltar amanhã. Não é fracasso: redija simplesmente a sua decisão. Cada retorno é a ocasião de repeti-la, até que ele perca a força.
Se você está com pressa, três frases bastam: nomear, depositar, renunciar. Se é tímido, escreva-o num papel e depois rasgue. Se o rancor é antigo e profundo, encare-o como um caminho, não como uma façanha de um dia.
O que a Bíblia diz
Paulo pede aos crentes que se livrem de várias atitudes ao mesmo tempo:
Efésios 4:31-32
Repare na lista: amargura, ira, raiva, gritaria, calúnia, maldade. O rancor é a raiz de vários desses frutos. E o versículo seguinte dá o motor da mudança: perdoar como Deus perdoou em Cristo. O autor da carta aos Hebreus usa uma imagem ainda mais eloquente:
Hebreus 12:15
Ele alerta para que nenhuma raiz de amargura, ao brotar, cause perturbação: o rancor é como uma planta que cresce por baixo, silenciosa, e acaba invadindo. O Salmo 37 convida a outro caminho: deixar a ira e abandonar o furor (Salmos 37:8).
Armadilhas a evitar
Confundir renunciar e esquecer. Você não precisa apagar o que aconteceu. Pode lembrar sem guardar amargura.
Minimizar o que aconteceu. “Não foi tão grave” costuma ser um jeito de evitar olhar. Se você foi ferido, diga isso a Deus com verdade e depois entregue.
Esperar desculpas. Muitos rancores permanecem porque se espera que o outro peça perdão. Você pode renunciar sem esperar.
Confundir perdão e reconciliação. Renunciar ao rancor não quer dizer voltar a uma relação que faz mal a você. Você pode perdoar e tomar distância.
Impacientar-se. Certos rancores voltam em ondas. Persevere com suavidade.
Hoje, identifique um rancor. Diga-o a Deus e depois diga: “Escolho deixá-lo cair.”