Segurar a língua: reter a farpa que ia sair
Ela é pequena, discreta, escondida atrás dos dentes, e capaz do melhor como do pior. Uma ironia que fere, uma alfinetada disfarçada de brincadeira, uma observação que humilha: arrependemo-nos assim que saem. Esta missão propõe um exercício bem concreto: reter, hoje, pelo menos uma farpa que você ia soltar.
Como isso aparece no seu dia
Perceber o momento. Muitas vezes, a farpa vem do cansaço, da irritação, do desejo de brilhar ou de uma velha ferida. O sinal: uma frase que se forma na sua cabeça com um pequeno prazer misturado a um desconforto.
Fazer uma pausa de um segundo. Antes de falar, pergunte-se: “É verdade? É útil? É bondoso?” Se a resposta for não a uma das três, cale-se.
Guardar a frase. Você não precisa dizê-la. Na cabeça, pode até vê-la passar: “Aí está uma farpa.” Esse simples olhar tira o impulso.
Substituir, se preciso. Às vezes você pode dizer outra coisa: uma pergunta, um elogio, um simples “Hmm”.
Notar a tentação recorrente. Em que situação você é mais tentado? Com que pessoa? Na hora de que assunto? Essa observação ajuda você a se preparar.
Dizer depois a Deus. À noite, agradeça pela farpa retida. Se você deixou escapar uma, peça perdão a Deus e, se for preciso, à pessoa.
O domínio da língua é um dos desafios mais duradouros da vida cristã. Não se adquire num dia, mas cada farpa retida é uma pequena vitória.
Se você está com pressa, retenha uma só farpa hoje. Se é tímido, provavelmente já está acostumado a se calar: o desafio será antes não ruminar. Se é do tipo sarcástico, é o seu desafio.
O que a Bíblia diz
Tiago dedica à língua uma passagem inteira:
Tiago 3:2-6
Todos tropeçamos de muitas maneiras, e quem não tropeça no falar é uma pessoa perfeita: ninguém escapa da dificuldade. As imagens são marcantes: o freio do cavalo, o leme do navio, a faísca que incendeia uma floresta. Uma coisa pequena, uma grande consequência. O livro de Provérbios acrescenta:
Provérbios 13:3
Quem vigia a sua boca guarda a sua alma. Não é, portanto, só questão de educação: é assunto de vida interior. E o mesmo livro lembra que quem retém as palavras tem conhecimento (Provérbios 17:27).
Armadilhas a evitar
Calar por desprezo. Não dizer nada pensando com muita força o que você poderia ter dito não é segurar a língua: é trocá-la por um julgamento interior.
Passar por frio. Segurar a língua não quer dizer não dizer mais nada. Diga coisas verdadeiras e boas.
Engolir sem depositar. Se a farpa esconde uma frustração real, deposite-a diante de Deus, ou diga-a de outro modo, com suavidade.
Julgar-se com severidade. Você deixará escapar algumas. Peça desculpas simplesmente e continue.
Achar-se mais sábio que os outros. Reter uma farpa não torna você superior. Continue humilde.
Hoje, retenha pelo menos uma farpa. Agradeça a Deus à noite por esse pequeno passo.