Louvar a Deus por quem ele é, não pelo que ele dá
Nas nossas orações, o lugar do pedido logo fica imenso: pedimos saúde, trabalho, paz. Até a gratidão muitas vezes trata do que recebemos. Esta missão propõe um passo para o lado: falar com Deus pelo que ele é, sem esperar nada em troca.
Como isso aparece no seu dia
Louvar é reconhecer o valor de alguém. Imagine que você admira um amigo pela paciência dele: você não diz “Obrigado por ter me ajudado”, diz “Você é uma pessoa paciente, e isso me toca.” Fazer o mesmo com Deus é louvor.
Eis um método simples, em três tempos:
- Escolha um traço de Deus. A sua bondade, a sua fidelidade, a sua paciência, a sua justiça, a sua beleza, o seu poder, a sua ternura.
- Diga-o em voz baixa. “Tu és fiel. Foste ontem, és hoje.”
- Fique um momento nisso. Procure uma lembrança em que você o viu: “Lembro de quando ficaste comigo naquela provação.”
Se você está sem inspiração, abra um salmo de louvor (Salmos 145:8 ou o Salmo 150) e faça dele a sua oração. Se você está com pressa, uma frase basta: “Senhor, tu és bom.” Se você é iniciante, comece com um só traço de caráter, não dez.
Você também pode cantar, pôr um hino, ou contemplar a natureza: uma montanha, o mar, um céu de tempestade podem convidar você a admirar o Criador.
O que a Bíblia diz
Os salmos de louvor estão cheios de razões para adorar a Deus, antes de tudo ligadas ao seu caráter. Eis dois, bem simples:
Salmos 145:8
Salmos 150:2
O salmista mistura o que Deus fez e o que ele é: os seus feitos poderosos e a sua grandeza imensa. No livro de Apocalipse, os seres vivos em volta do trono fazem o mesmo:
Apocalipse 4:11
Não são agradecimentos por um presente preciso, é um reconhecimento da dignidade de Deus: ele é digno. O louvor, na Bíblia, diz quem ele é, não apenas o que faz por nós. E o Salmo 117, o mais curto de todos, contém só isso: a bondade e a fidelidade de Deus (Salmos 117:2).
Armadilhas a evitar
Transformar o louvor em negócio. “Senhor, tu és bom, então me dá o que eu quero.” Há uma diferença entre louvar e negociar. Se você tem um pedido, apresente-o depois, separadamente.
O louvor forçado. Em alguns dias, você não sentirá nada. Você não precisa fabricar um entusiasmo. Pode dizer: “Não sinto isso, mas digo que tu és bom.” O louvor é um ato de fé, não um estado emocional.
O desempenho. O louvor não é uma competição de fervor. Um cântico simples, uma frase murmurada, um silêncio admirado valem tanto quanto um grande momento coletivo.
Louvar em circuito fechado. Se o seu louvor nunca se traduz em gratidão concreta, em bondade para com os outros, soa vazio. A verdadeira adoração acaba transformando o modo de viver.
Hoje, escolha um traço de Deus e diga-o a ele, sem pedir nada. Você verá que isso muda o seu olhar sobre si mesmo e sobre o dia.