Orar o Pai-Nosso aplicando-o à sua vida: um pedido, uma área
O Pai-Nosso não é uma oração para as grandes ocasiões: é um programa para uma vida inteira. Cada pedido toca uma área concreta: o nosso pão, as nossas relações, as nossas fraquezas. Esta missão convida você a orá-lo devagar, parando em cada pedido para se perguntar: onde isso toca a minha vida?
Como isso aparece no seu dia
Veja uma maneira de ligar cada pedido a uma área da sua vida:
- Pai nosso: a sua relação com Deus. Eu me sinto filho dele ou empregado?
- O nome de Deus honrado: a sua reputação e a de Deus. A minha vida honra o nome dele, no trabalho, em família?
- A vinda do reino: os seus projetos. Onde eu estou mandando no lugar dele? O que eu entrego a ele?
- A vontade de Deus feita: as suas decisões pendentes. O que eu não ouso deixar que ele decida?
- O pão de cada dia: as suas necessidades materiais. Dinheiro, saúde, moradia, comida. De que eu realmente preciso hoje?
- O perdão das ofensas, como também perdoamos: as suas relações. A quem devo pedir perdão? A quem devo perdoar?
- A tentação: os seus hábitos frágeis. Onde estou vulnerável nesta semana?
- O livramento do mal: os seus medos, as suas lutas, tudo o que esmaga você.
Reserve dez minutos. A cada pedido, pare, responda à pergunta e depois diga-o a Deus. Uma volta completa dá a você um pequeno retrato da sua vida.
Se você está com pressa, pegue só dois pedidos: o do pão e o do perdão. Se é iniciante, pode escrever ao lado de cada frase uma linha pessoal. Se é tímido, esse percurso se faz em silêncio.
O que a Bíblia diz
Lucas traz uma versão mais curta da mesma oração:
Lucas 11:2-4
É interessante comparar as duas versões: Lucas fala do pão de cada dia e do perdão dos pecados com palavras um pouco diferentes das de Mateus. Jesus não impõe uma fórmula única: ele dá um modelo. Antes de ensiná-lo, disse aos discípulos algo que esclarece a oração:
Mateus 6:7-8
O Pai sabe do que vocês precisam antes mesmo de pedirem: não oramos para informar a Deus, mas para entrar em relação com ele, pôr os nossos desejos em ordem e reconhecer a nossa dependência. No Pai-Nosso, os pedidos relativos a Deus (o nome dele, o reino, a vontade) vêm antes dos que são para nós. A ordem importa: ela orienta o nosso olhar.
Armadilhas a evitar
Recitar. Se você o diz por hábito, ele não traz nada. A lentidão é a chave: um pedido, um tempo, uma aplicação.
Esquecer a frase do perdão. É o único pedido ao qual Jesus acrescenta um comentário (Mateus 6:14-15). É exigente, mas faz bem.
Tomá-lo como fórmula mágica. A força dele não está na repetição, mas na relação que expressa: um filho falando com o pai.
Limitar-se às suas próprias necessidades. O Pai-Nosso está no plural. Pense na sua família, na sua igreja, no seu bairro.
Perder-se na análise. Se você procura demais entender tudo, corre o risco de perder a oração. Fique simples, um pedido de cada vez.
Hoje, reserve dez minutos. Ore o Pai-Nosso parando em cada pedido e anote o que mais falou a você.